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Coren-SP rebate Rede Globo sobre atuação da Enfermagem na Atenção Básica

Nota foi divulgada após exibição de reportagem que mostrava as filas de espera em UBS de São Bernardo do Campo Entra ano, sai ano, e a situação parece não ser diferente para a Enfermagem, que sempre foi alvo fácil para ataques e reclamações na imprensa em geral. Dessa vez, a Rede Globo (Leia-se: Rede Esgoto) […]
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Nota foi divulgada após exibição de reportagem que mostrava as filas de espera em UBS de São Bernardo do Campo

Entra ano, sai ano, e a situação parece não ser diferente para a Enfermagem, que sempre foi alvo fácil para ataques e reclamações na imprensa em geral. Dessa vez, a Rede Globo (Leia-se: Rede Esgoto) exibiu uma reportagem no “Bom Dia São Paulo” que abordava as filas de espera em frente a uma UBS em São Bernardo do Campo, mas esqueceu de esclarecer à população sobre a atuação da Enfermagem na Atenção Básica. Na ocasião, a repórter Mariana Aldano conduziu entrevistas com pacientes e fez os comentários abaixo:

“O pessoal estava me contando aqui também, Rodrigo [Bocardi, apresentador], que para marcar consulta também não é muito fácil. Antes, eles têm que passar por uma enfermeira e aí a enfermeira decide se a pessoa vai passar pela consulta com o médico ou não”.

“E você estava me contando que a enfermeira já chegou a te receitar, a te fazer uma receita médica, é isso?”.

“A gente ouviu alguns casos, de pessoas que têm essa dificuldade, essa barreira do enfermeiro nesse processo até chegar ao médico”.

Pois é! Comentários como o da repórter só fazem com que as pessoas se revoltem cada vez mais contra os enfermeiros. E que culpa nós temos se a Saúde Pública não anda bem das penas? O dever de informar, corretamente, sua audiência precisa ser cumprido, Rede Globo. Colocar a população contra os profissionais que tanto lutam para ajudá-los não vai adiantar. Mas sabemos como funciona tal emissora, não é verdade? Alguém aqui acreditou que eles iam se retratar? Claro que não, tolinho!

Coren-SP sai em defesa da classe e rebate com educação

Sempre engajado, o Coren-SP, com toda educação e boa vontade, publicou nota em seu site oficial fazendo o trabalho que a Rede Globo deveria ter feito. Eles lançaram um panorama sobre a real atuação da enfermagem nas Unidades Básicas de Saúde (UBS), mas antes, deixou EXPRESSAMENTE CLARO que as manifestações do jornal contrariam a atuação da Enfermagem prevista tanto na Lei do Exercício Profissional (Lei 7498/86) quanto na Política Nacional de Atenção Básica – PNAB (Portaria 2436/2017 do Ministério da Saúde). Sobre a abordagem dos enfermeiros, o Coren-SP declara:

No que tange à “decisão” da enfermeira, na verdade trata-se da classificação de risco, que consiste, de acordo com o previsto na PNAB, em ‘escuta qualificada e comprometida com a avaliação do potencial de risco, agravo à saúde e grau de sofrimento dos usuários, considerando dimensões de expressão (física, psíquica, social, etc) e gravidade, que possibilita priorizar os atendimentos a eventos agudos (condições agudas e agudizações de condições crônicas) conforme a necessidade, a partir de critérios clínicos e de vulnerabilidade disponíveis em diretrizes e protocolos assistenciais definidos no SUS.

Um esclarecimento tão simples e que poderia ter sido feito pela reportagem, mas preferiram causar e ocultar informações. O conselho ainda continua falando sobre a prescrição de medicamentos:

De acordo com o Art. 11 da Lei do Exercício Profissional da Enfermagem, cabe privativamente ao enfermeiro a ‘prescrição de medicamentos estabelecidos em programas de saúde pública e em rotina aprovada pela instituição de saúde.

Sendo assim, dentro das UBS que prestam atendimento como parte da Estratégia Saúde da Família, é pertinente a prescrição de medicamentos pelo profissional enfermeiro. Nota-se, neste caso, um equívoco do termo “receita médica”, relacionando a prescrição à atuação do profissional médico.

Conselho mantém esclarecimentos para atuação da Enfermagem

A Portaria 2436/2017 do Ministério da Saúde prevê como atribuição específica do enfermeiro nas equipes que atuam na Atenção Básica:

Realizar consulta de enfermagem, procedimentos, solicitar exames complementares, prescrever medicações conforme protocolos, diretrizes clínicas e terapêuticas, ou outras normativas técnicas estabelecidas pelo gestor federal, estadual, municipal ou do Distrito Federal, observadas as disposições legais da profissão” e “Realizar e/ou supervisionar acolhimento com escuta qualificada e classificação de risco, de acordo com protocolos estabelecidos.

Ou seja, a presença do profissional enfermeiro no acolhimento à população não se trata, jamais, de uma “barreira” ao atendimento médico, mas exatamente o contrário, pois significa um facilitador da assistência à saúde. Leia a nota de esclarecimento na íntegra!

Culpando o enfermeiro por um problema que não é dele?

A Enfermagem também é vítima da má gestão e do subfinanciamento da Saúde Pública, o que acarreta problemas diretos como violência no ambiente de trabalho e adoecimento mental decorrente da sobrecarga de trabalho, como já divulgado em pesquisas recentes realizadas pelo Coren-SP.

Qualquer culpa impetrada à profissão pela demora no atendimento, com a qual a Enfermagem também sofre, apenas contribui para uma perigosa desvalorização da profissão.

No final da nota, o conselho pede uma retratação do telejornal, principalmente pelo impacto junto a sua audiência. Eles solicitam que os editores do jornal verifiquem a legislação, os procedimentos e a realidade da enfermagem ao abordar os processos de trabalho na saúde e reforça estar à disposição para sempre dialogar sobre demandas que envolvam a profissão. Estamos nessa com o Coren-SP e pedimos que haja o mínimo de respeito com os enfermeiros que, no meio de tanta confusão e dentro de um sistema que não funciona, tenta fazer o impossível para atender bem a população.

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